A OI tem uma história cercada de polêmicas e suspeitas.

Tanto Telemar quanto Brasil Telecom, as empresas que deram origem à OI, tinham o Estado brasileiro como principal acionista (através de fundos de pensão e do BNDES), mas a gestão foi transferida para sócios privados ainda no governo FHC e mantida incólume no governo Lula. No caso da Brasil Telecom o sócio em questão foi Daniel Dantas, que acabou envolvido num escândalo que chegou à justiça norte-americana. Já no caso da OI, os controladores eram Carlos Jereissati (irmão do senador tucano Tasso Jereissati) e Sérgio Andrade (dono da Andrade Gutierrez e um dos principais financiadoras das campanhas de Lula).

A própria compra da Brasil Telecom foi motivo de muitas polêmicas, pois o governo promoveu uma casuística alteração do Plano Geral de Outorgas (PGO), apenas para permitir a compra. A justificativa era a de que se estava criando uma grande operadora brasileira, capaz de disputar o mercado internacional.

Pois, a OI não apenas jamais operou fora do Brasil como vendeu, em 2013, seus cabos submarinos, passando a ter que alugar de terceiros o serviço de conexão internacional. Para piorar, a pequena Portugal Telecom entrou como sócia da companhia, foi ampliando sua participação e hoje se prepara para tornar-se a maior acionista da OI. Nesse processo, nunca ficou totalmente claro como foi a venda de boa parte das ações que estavam com o governo e se fundos de pensão de estatais e BNDES tiveram prejuízo na operação.

Desvalorizada na bolsa de valores e com uma dívida de cerca de R$ 30 bilhões, a empresa anunciou que pretende investir ainda menos em 2014 (veja aqui). E agora planeja se fundir com a Portugal Telecom, mas a iniciativa é fortemente questionada pelos acionistas minoritários da OI. Na reunião de seu Conselho Administrativo realizada em 18 de dezembro, o conselheiro que representa os sócios minoritários, Antônio Cardoso dos Santos, fez constar em ata uma duríssima manifestação de voto (ao final do documento postado aqui) contra a fusão de Portugal Telecom e OI.

Em resumo, Cardoso afirma que os ativos da Portugal Telecom que entrarão na fusão estão sobreavaliados (o que beneficia os sócios portugueses) e as dívidas dos controladores da OI serão incluídas no negócio, obrigando os sócios minoritários a arcarem com um passivo que não era da OI, mas de seus acionistas majoritários. Cardoso afirma que “a operação resulta na diluição injustificada da participação dos acionistas minoritários e não traz reais benefícios para a OI”, resultando “em vantagens auferidas apenas pelos integrantes do grupo controlador”. A Associação de Investidores no Mercado de Capitais (AMEC) solicitou que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abra investigação para apurar o processo de fusão entre OI e Portugal Telecom.

Ao que parece, trata-se de manter a tradição da empresa: vantagens apenas para os acionistas controladores, aumento da dívida, consequente diminuição de investimentos, piora na qualidade dos serviços prestados, aumento da participação do capital estrangeiro e, como não podia deixar de ser, conivência do governo.