O termo “privatização” foi usado para esconder que, além de privatizadas, as antigas empressas estatais passaram, também, por um intenso processo de internacionalização. Se tomarmos o exemplo das telecomunicações, hoje as principais empresas que operam no mercado brasileiro são norte-americanas (DirecTV/Sky e Nextel), espanhola (Telefonica/Vivo), italiana (TIM/Intelig), francesa (GVT), mexicana (Embratel/NET/Claro) e com forte presença portuguesa (Oi). Exceto pela Oi, não há capital nacional no controle dessas empresas.

Uma das mais óbvias consequências foi o fim das pesquisas em telecomunicações realizadas pelo antigo CPqD da Telebrás e o consequente fechamento ou venda do cinturão de empresas nacionais que exploravam essas tecnologias (como o cartão indutivo para orelhões, as centrais digitais Trópico, etc).

A desculpa para que isso ocorra é que vivemos em um mundo globalizado, com fluxos transfronteira de capitais e ficar de fora disso seria nos condenar ao atraso. Será? Você que pensa assim já ouviu falar no CFIUS (veja aqui)?

O Committee on Foreign Investment in the United States (CFIUS) foi criado pelo governo Gerald Ford e teve seus poderes amplificados no governo Reagan. É presidido pelo secretário do Tesouro e composto por uma série de secretários (equivalentes aos ministros brasileiros) e agências reguladoras. Recentemente passou a contar com a presença do Departamento de Segurança Interna, criado no pós 11 de setembro.

Ou seja, o CFIUS é um comitê de alto nível, responsável por analisar e aprovar, ou não, os investimentos estrangeiros em território estadunidense. Para ficarmos no campo das telecomuncações, foi o CFIUS que impediu a chinesa Huawei de comprar a divisão de telecomunicações da Motorola, com o argumento de que se trata de um patrimônio estratégico para a defesa dos Estados Unidos e não poderia ser vendido para uma empresa da economia que hoje surge como a grande concorrente dos norte-americanos.

Por que o país que se regozija de ser o lar do liberalismo trata de forma seletiva e estratégica o investimento estrageiro em telecomunicações e nós somos uma porteira aberta para empresas privadas de todo o mundo?

Não há algo errado?