Jornal Valor Econômico, de 14 de novembro, cumpre seu papel de um veículo voltado à investidores e tomadores de decisão no mercado. A dúvida que motivou uma matéria no seu caderno Empresas é saber quem investiria na Oi.

A OI está montada numa dívida de cerca de R$ 30 bilhões, seu serviço de TV paga anda de lado, a receita no mercado corporativo vem diminuindo, aumentou a diferença para as três outras grandes operadoras de celular e a OI perdeu 4% da sua base de telefones fixos nos nove primeiros meses de 2013.

O plano de fusão com a Portugal Telecom implica na necessidade da empresa captar cerca de R$ 5 bilhões no mercado e os sócios minoritários aceitarem diluir entre si a dívida dos sócios majoritários. Mas, a empresa anunciou que, para diminuir sua dívida, vai investir menos nos próximos anos, justamente quando a telefonia móvel de 4G se tornará uma realidade no país, demandando vultosos investimentos.

Para piorar, a empresa anunciou que vai na contramão das demais e investirá no aumento de sua base de telefones pré-pagos, cuja característica é um valor de conta menor. Com isso, a Oi espera ter uma demanda menor por investimentos na sua rede. Por outro lado, os planos pós-pagos representam uma garantia de receita e um ARPU (receita média por usuário, na sigla em inglês) maior.

Ou seja, a estratégia da OI é investir menos para se endividar menos. O plano seria excelente se ela conseguisse convencer investidores e clientes a permanecerem numa empresa que vai definhando a céu aberto. Lembra a história do sujeito que estava quase conseguindo ensinar seu burro a não comer, quando o bicho, de repente, morreu!

Você investiria na OI? E se você fosse regulador, faria alguma coisa? Ou se fosse ministro das Comunicações, ficaria apenas assistindo a lenta agonia da única empresa que ainda possui algum capital nacional?