Monitoramento on-line atrai capital de risco



Os investidores de capital de risco estão despejando dinheiro em empresas de publicidade e de monitoramento on-line, apesar das preocupações do público com violações da privacidade e possíveis restrições governamentais.

Só nos últimos três meses, as firmas de monitoramento Lotame Solutions Inc. e Media6Degrees Inc., bem como a eXelate Media Ltd., a [x + 1] Inc. e a Turn Inc. receberam novos investimentos de firmas de capital de risco proeminentes. Em vários dias em janeiro a Millenial Media e a Tapjoy Inc., que distribuem propaganda para smartphones, informaram ter captado mais de US$ 20 milhões cada.

"É um mercado gigantesco e está crescendo", diz Chris Fralic, um sócio-gerente da First Round Capital, considerada uma das firmas de capital de risco que mais investiu em monitoramento de pessoas na internet. "Percebemos muita coisa se solidificando nesses espaços."

A First Round, uma empresa fundada há seis anos que investe principalmente em firmas recém-criadas, já aplicou na 33Across Inc., que analisa perfis em redes de relacionamento social, e na Demdex Inc., que se gaba de contar com um "banco de dados comportamentais" de perfis de usuários.

Desde 2007, as firmas de capital de risco investiram juntas US$ 4,7 bilhões em 356 empresas de publicidade on-line, segundo a Dow Jones VentureSource, uma firma de pesquisa de mercado da News Corp., dona do Wall Street Journal. O total de aplicações como essas aumentou 29% ano passado, para mais de US$ 1,1 bilhão, embora tenham continuado abaixo do recorde de outros anos. Só a First Round já fez 30 investimentos desde 2007, segundo a VentureSource.

O clima para investimento em firmas de propaganda on-line está "superaquecido", diz Terence Kawaja, banqueiro de investimentos da Luma Partners LLC. O diagrama produzido por ele sobre o setor, que classifica cerca de 250 firmas em 23 nichos, se tornou um guia para investidores. É inevitável que o setor passe por uma sacudida, diz Kawaja. "Quando a música para, nem todo mundo tem cadeira."

O entusiasmo dos investidores de capital de risco ocorre ao mesmo tempo em que crescem as preocupações com a privacidade das pessoas e o governo americano adota os primeiros passos para regulamentar a propaganda na internet.

Os capitalistas de risco dizem que não se sentem desmotivados. "Isso não está prejudicando nossa vontade de investir ativamente" na publicidade on-line, diz Randall Glein, diretor-gerente da DFJ Growth Fund, parte da rede de empresas da Draper Fisher Jurvetson. Os fundos da DFJ já realizaram 29 investimentos em empresas iniciantes de propaganda on-line, menos apenas que a First Round, segundo dados da VentureSource.

Os investidores se dizem atraídos pelo mercado de publicidade na internet, calculado em US$ 26 bilhões por ano, e suas perspectivas de crescimento. Os americanos gastam com a internet hoje em dia 28% do tempo dedicado a meios de comunicação, mas a internet recebe apenas 13% dos gastos com publicidade, segundo Mary Meeker, ex-analista do Morgan Stanley que agora é sócia da firma de capital de risco Kleiner Perkins Caufield & Byers.

Outro fator: as empresas iniciantes de publicidade on-line não demandam muitos recursos, disse Kawaja. "Dá para investir US$ 5 milhões e ver se o negócio funciona", diz ele. "Se ela der certo, [a empresa] pode receber mais recursos."

A maioria das novas empresas que atraem investimentos almeja ligar os operadores de sites a anunciantes que querem faturar com a capacidade da internet de oferecer anúncios personalizados ao usuário. As empresas de publicidade on-line estão concorrendo para encontrar maneiras melhores de identificar usuários de internet com mais probabilidade de reagir a um anúncio.

"Eles estão tentando encontrar fatias cada vez melhores de dados sobre as pessoas", disse Nick Sturiale, sócio da Jafco Ventures, que tem evitado o setor. "Os anunciantes querem comprar pessoas, (...) não páginas [da web]."

Isso impulsionou uma disputa ferrenha entre as empresas iniciantes por matemáticos que saibam organizar os dados sobre o comportamento on-line das pessoas e usar isso para gerar mais receita. Alguns desses matemáticos trocaram Wall Street pelo mundo da propaganda.

Ari Buchalter, diretor operacional da firma de propaganda digital MediaMath Inc., tem doutorado em astrofísica e já comandou um fundo de hedge que baseava suas aplicações em fórmulas matemáticas. O diretor-presidente da empresa, Joe Zawadzki, já foi banqueiro de investimentos.