Empresas de internet tentam limitar 'cookies' em seus sites

Jessica E. Vascellaro | The Wall Street Journal
18/11/2010
 

Grandes websites americanos estão passando a limitar o número de tecnologias de rastreamento tipo "cookies" em seus sites, na esperança de evitar que terceiros tenham acesso a dados lucrativos sobre seus visitantes - e os riscos relativos à privacidade.

Um número maior de empresas está contando as ferramentas de rastreamento - os softwares que podem monitorar clandestinamente as atividades das pessoas on-line - que estão sendo instaladas nos computadores das pessoas que visitam seus sites.

Alguns sites chegaram a eliminar empresas que instalam ferramentas de rastreamento, devido a práticas que consideram intrusivas. Outras editoras de sites querem vender anúncios elas mesmas e depender menos das redes publicitárias on-line que instalam software de rastreamento.

Muitas editoras de sites estão descobrindo que há software de rastreamento operando nos sites sem o seu conhecimento. Algumas temem que estejam perdendo uma oportunidade, já que outras estão lucrando com a venda de dados sobre os usuários dos sites para fins de refinamento de anúncios.

Os sites também temem que terceiros obtenham acesso a dados particulares de seus visitantes, o que gera questionamentos sobre a privacidade.

A MSNBC.com, uma sociedade da Microsoft Corp. e da rede de TV americana NBC Universal, intensificou o monitoramento dos softwares que são instalados nos computadores dos visitantes. "O volume de atividade era maior do que pensávamos", disse Kyoo Kim, vice-presidente de vendas da rede digital da empresa. Havia "muita coisa acontecendo sem o nosso conhecimento."

Kim disse que a MSNBC está revendo suas políticas de privacidade e parceiros de marketing, mas não quis discutir detalhes.

O site de notícias Huffington Post removeu recentemente uma tecnologia da firma de publicidade Lotame Inc. depois que o Wall Street Journal revelou que a Lotame estava analisando os comentários deixados no site. Um porta-voz da Lotame não quis comentar.

Há mais ou menos um ano, o site de automóveis Edmunds.com descobriu que uma empresa desconhecida estava instalando cookies nos computadores de seus visitantes. Funcionários descobriram que a empresa era ligada a uma fornecedora de tecnologia de alguns anunciantes do site da Edmunds.

"Estava claro para nós que eles não deviam estar lá", disse Avi Steinlauf, presidente da Edmunds. "Não posso lhe dizer o que estavam fazendo, porque não temos como saber."

Um novo estudo da firma novata de tecnologia Krux Digital Inc. descobriu que quase um terço das ferramentas de rastreamento em 50 sites americanos bem visitados foram instaladas por empresas que ganharam acesso ao site sem a permissão de sua editora.

Em média, a visita a uma única página desses sites resulta na instalação ou atualização de dez rastreadores no computador do visitante. A Krux descobriu algumas páginas que instalam ou atualizam 40 rastreadores.

A Krux estudou a maioria dos sites que o Journal investigou na série de reportagens sobre rastreamento de usuários na internet "O que eles sabem". A Krux, entretanto, se concentrou na identificação de software de rastreamento que estava sendo instalado sem o conhecimento e a permissão do site hospedeiro.

A série do WSJ está investigando a indústria de rastreamento de usuários da internet e venda de seus detalhes pessoais. O negócio deriva-se da publicidade baseada no comportamento on-line dos usuários - colocar anúncios de carros na frente de potenciais compradores de automóveis, por exemplo. Esse tipo de anúncio comportamental é vendido a um preço maior, o que atrai sites sedentos por receita.

Agora, as operadoras de sites estão aprendendo o custo de permitir que as empresas de publicidade on-line e outras firmas de captação de dados rastreiem seus usuários. Kirk McDonald, um executivo digital da divisão Time Inc. da Time Warner Inc., disse que algumas empresas estão "cometendo pirataria" com a venda de dados gerados a partir do conteúdo de outros sites.

A Krux estima que os 50 sites estão perdendo perto de US$ 850 milhões em receita anual com a venda ou permuta feita por terceiros dos dados de seus usuários e sem o seu conhecimento. Eliminar alguns desses intermediários deixaria as editoras de sites com condições de extrair uma receita maior com a venda de anúncios, informou.

Algumas editoras já repensam suas práticas.

O conglomerado de internet IAC/InterActiveCorp aperfeiçoou sua tecnologia interna de venda de anúncios e reduziu o uso de redes externas de anúncios. A IAC diz que agora vende diretamente 30% dos anúncios que costumavam ir para as redes de anunciantes; sua meta é vender todos os seus anúncios por conta própria. "Precisávamos assumir o controle de nosso destino", disse Ali Mirian, vice-presidente de produto e tecnologia da IAC Advertising.

A IAC é dona do Dictionary.com, um site que o Journal descobriu que instalava mais de 200 rastreadores no computador de um visitante, o maior número dentre os sites testados. Mirian disse que acredita que a nova política reduziu o número de rastreadores instalados nos computadores dos usuários visitantes.