França inspeciona mapeamento do Google

Heather Smith, Bloomberg, de Paris
27/08/2010

Um carro usado pelo Google para recolher dados para seu serviço de mapeamento Street View foi parado e revistado na quarta-feira perto de Paris, menos de uma semana depois de a autoridade francesa que cuida das liberdades civis ter criticado a retomada do programa.

A inspeção foi resultado de uma decisão do Google de começar a fotografar ruas da França antes de as autoridades decidirem se a companhia estava seguindo ordens de limitar a coleta de dados para o Street View, disse ontem Yann Padova, secretário-geral da Comissão National de Computação e Liberdades Civis.

A busca "foi feita especialmente para verificar se eles haviam parado de recolher dados via Wi-Fi [banda larga sem fio]", disse ontem Padova, 43.

O Google, dono do maior mecanismo de busca na internet do mundo, está sendo alvo de investigações de autoridades reguladoras de proteção a dados na Alemanha, Espanha, Itália e República Checa, motivadas por suspeitas de que o programa Street View viola direitos de privacidade. Este mês, a polícia da Coreia do Sul invadiu o escritório do Google em Seul como parte de uma investigação sobre o Street View. As práticas de privacidade do Google também estão sendo investigadas pelo Canadá e a Federal Trade Commission dos Estados Unidos (FTC). Al Verney, porta-voz do Google, não quis fazer comentários ontem.

O Google não vai se arriscar com as autoridades reguladoras europeias enquanto tenta recolher dados para o Street View na Europa, disse ontem Sam Hart, analista da Charles Stanley, em Londres.

"Eles já estão cientes dos potenciais danos que violações à privacidade poderiam provocar à reputação e à marca do Google", disse Hart. "Acredito que eles vão proceder com extrema cautela."

O Street View permite aos usuários do Google clicar em mapas para ver fotografias de vias públicas. O sistema já está disponível para a maioria das cidades francesas.

A CNIL, como é conhecida a autoridade reguladora francesa das liberdades civis e da computação, vem recebendo queixas desde que o programa começou, inicialmente por exibir claramente os rostos das pessoas. Um casal disse à CNIL que encontrou fotografias do serviço mostrando o interior de seu apartamento, incluindo sua filha de 4 anos que estava sem roupa. A queixa foi um dos motivos que levaram à revisão do programa.

O Google resolveu esse problema, introduzindo imagens borradas e removendo outras fotografias, afirma Padova. Posteriormente, foi revelado que carros a serviço do Street View recolheram dados wireless, incluindo e-mails e senhas, sem o conhecimento das pessoas. A CNIL emitiu um mandado em maio exigindo que o Google parasse de recolher dados e repassasse às autoridades os que já havia recolhido.

"Já recebemos muitas informações, especialmente sobre os aspectos técnicos", disse Padova. A CNIL examinará as respostas para determinar se o Google cumpriu as exigências ou se cabe multas.

Padova não quis revelar o que os inspetores acharam na quarta-feira, alegando que a CNIL "pediu ao Google que modifique os carros, e agora precisamos ver o que foi feito". A CNIL inspecionou dois outros veículos do Street View, segundo Padova. Essa é a única autoridade reguladora europeia que está fazendo isso e, segundo ele, vem compartilhando informações com outros países da União Europeia.

A CNIL poderá multar empresas em até € 300 mil (US$ 382.000), com os transgressores sem antecedentes podendo ser multados em € 150 mil. A CNIL também ordenou ao Google que registre a Latitude, uma função da versão móvel do Google Maps. A companhia vem se recusando a fazer isso, alegando que o programa não está sujeito às leis francesas.